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No último Cine Debate, o CAVH (Centro Acadêmico Vladimir Herzog) exibiu o filme brasileiro “Bacurau” (2019). A escolha foi uma homenagem ao diretor Kleber Mendonça Filho, que concorreu neste mês ao Oscar em quatro categorias por “O Agente Secreto” (2025), sem vitórias. Ele assina o longa junto de Juliano Dornelles.








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Sinopse oficial
Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa.
Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. Quando carros se tornam vítimas de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa.
O que dizem os cinéfilos
Um dos melhores filmes que eu já assisti na vida! A narrativa é extremamente envolvente, viciante e pontente, e os simbolismos são muito profundos e bem explorados. Fala muito sobre o Brasil nessa cultura regional riquíssima e nada valorizada, mas também quando menciona a segregação entre o Centro-Sul do país e as regiões Norte e Nordeste, que mais nos atrapalha do que adiciona. Filme importantíssimo, inclusive, para quem ainda não entendeu que ser brasileiro deveria ser união, e não separação. Pontos extras na avaliação pela fotografia e montagem belíssimas e tão características do Kleber Mendonça Filho. Lindo demais!
Isabela Tonello, aluna do segundo ano de Jornalismo
É um filme cru, no sentido de não ter medo de expor o pior, o feio, o grosseiro e o violento. E é nessa violência que se apoia para mostrar e explicar para todos, explícita e implicitamente, o quão trágico é um mundo guiado pela espetacularização da violência, pelo descaso, pelo preconceito. E por uma lógica de um sistema composto e construído para extrair o pior das pessoas. Mostra que a mobilização popular e a resistência acaba sendo, quando não há Estado nem forças de segurança legítimas, a forma de se perpetuar um povo, uma cultura ou um legado, independente de quantas vezes se imponha uma tragédia em cima disso tudo.
Lucas Cabral, aluno do primeiro ano de Jornalismo
Trabalha o cenário social sob tensão de extremos em uma situação que metaforiza parte da colonização brasileira e o colonialismo intelectual. Os personagens sudestinos interpretados por Karine Teles e Antonio Saboia sintetizam a violência introduzida pelo estrangeiro que é incorporada pelo “próximo do oprimido” (no sentido de serem conterrâneos nacionais). O arquétipo do político do interior nordestino, que tenta se parecer amigo e acolhedor do povo em troca de votos, encontra seu carisma em seu retrato justamente por sua verossimilhança.
Enzo Rocha Santos, aluno do segundo ano de Jornalismo
É um filme cheio de simbolismos e pequenas possíveis interpretações. A obra perpassa diversos temas, principalmente no que diz respeito a identidade cultural nordestina, a espetacularização da violência e discursos de ódio utilizados para encobrir problemas sérios. Além disso o filme aborda como o crime organizado muitas vezes começa como uma resposta ao abandono institucional por parte do próprio Estado, que demoniza e utiliza dessa resposta para criar um discurso de inimigo comum, mesmo que a causa da existência desse inimigo seja seus próprios atos (ou a falta deles).
Heitor Augustus Paes Landim, aluno do primeiro ano de Jornalismo
Gostou do que viu por aqui? Participe do próximo CineDebate e escreva um parágrafo com a sua análise sobre o filme debatido na edição. Fique atento: as próximas obras e datas serão divulgadas nas redes sociais do CAVH (@cavh900) e do VLADO (@jornalvlado). Não perca!
